terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Eleições no Chile: semelhanças com as do Brasil?


Neste mês de janeiro foi anunciado o resultado das eleições presidenciais chilenas. O vencedor foi Sebastián Piñera, representante da Direita do país. Ele enfrentou Eduardo Frei, da Concertación, coalizão de centro-esquerda que preside o país há 20 anos e que teve apoio da atual presidente, Michele Bachelet, que possui 80% de aprovação ao seu Governo.
Logo após a divulgação do resultado, já começaram a ser feitas especulações sobre as eleições no Brasil. Afinal de contas, o cenário brasileiro é semelhante ao chileno: um presidente que possui alto índice de popularidade e que tenta fazer sua sucessora. Dito isso, é razoável supor que no Brasil ocorrerá a mesma coisa, certo? Errado! E explico agora o motivo.
Apesar das semelhanças, existem algumas características que tornam a eleição chilena bem diferente do que vai ser a eleição brasileira. A primeira, e mais óbvia, é que a população chilena é diferente da população brasileira.
As outras características são o candidato e o apoio do mandatário. É importante lembrar que Eduardo Frei já era um político conhecido da população e que já foi presidente do Chile. Dilma está em uma situação diferente da de Frei, visto que ainda é desconhecida de parte da população brasileira e que nunca disputou nenhuma eleição. Resumindo: Frei já tinha um índice de rejeição que hoje Dilma não tem.
A segunda característica é de grande relevância. Bachelet só entrou de fato na campanha no segundo turno, quando Frei praticamente empatou a disputa com Piñera. Assim, é possível supor (e somente especular sobre isso) que Frei pudesse ter ganho a eleição caso Bachelet tivesse feito campanha desde o início. No Brasil, Lula já entrou na campanha antes mesmo dela começar e a medida que Dilma fica mais conhecida, suas intenções de voto também sobem.
Assim, não é tão simples comparar as eleições presidenciais chilenas com as brasileiras. As características que tornam cada país único também fazem com que as disputas eleitoras sejam únicas e que para entendê-las e tentar fazer alguma previsão sobre elas é necessário estudar a fundo as pesquisas publicadas e a mentalidade de cada população.







sábado, 19 de dezembro de 2009

O Rei e seus cavalos contra peões: quem vencerá este xadrez?


Charge retirada do Blog do Amarildo: http://amarildocharge.wordpress.com/

No dia 09/12, o Brasil assistiu estarrecido às cenas de repressão a uma manifestação em Brasília. Viu-se de tudo, mas as imagens mais chocantes foram as dos cavalos marchando sobre um homem deitado, enquanto os policiais o espancavam com cassetetes.
A pergunta que se faz é: porque tamanha reação para reprimir uma manifestação? A resposta é que Arruda, atual Governador do Distrito Federal, está desesperado e procura manter-se no cargo a qualquer custo. E quando se acaba a legitimidade, só resta o uso da força. Sua desfiliação do DEM demonstra isso, já que ela ocorreu um dia após ele ter entrado na justiça eleitoral para não ser expulso do partido.
O “Rei Arruda” procura manter-se em seu trono e para isso faz diversas manobras, tais como a agressão a manifestantes e garantir o recesso da Câmara Legislativa para que os pedidos de impeachment não sejam analisados agora e que nem a CPI traga fatos sobre a corrupção de seu governo à tona. No entanto, o “Rei” joga a decisão sobre seu futuro e de seu vice, Paulo Octávio, para um ano eleitoral, onde seus “cavalos” na Câmara Legislativa (deputados da base aliada) também terão que pensar no seu próprio futuro político.
O problema (ou a solução) é que o “Rei Arruda” não percebeu que a cada dia ele perde mais e mais súditos (a chamada aprovação popular). E seus cavalos, presente principalmente na Câmara, não conseguem perceber que se defenderem o “Rei” estarão caminhando rumo a um chão escorregadio, que é ir contra a opinião pública e a favor da corrupção. E isso em pleno ano eleitoral. Parece que, independente de quais sejam os movimentos dados aos “cavalos” pelo “Rei”, os peões devem sair vencedores. A pergunta que fica é: para que rumo os cavalos irão? O do “Rei” e o dos peões já estão definidos. E são opostos.

sábado, 31 de outubro de 2009

Internet e Eleições no Brasil

Com a última reforma eleitoral, ou mini-reforma, como ficou conhecida, a Internet passou a ser a vedete, a “menina dos olhos” dos políticos e dos profissionais de marketing político. Na verdade, o que se fez foi permitir que os políticos utilizem a Internet para fazer campanha além do seu site oficial e que arrecadem dinheiro pela rede. Outra mudança foi o fato de que o site do candidato poderá ficar no ar no dia da eleição.
A questão que eu coloco é: existe um real motivo para tanto alvoroço em cima da Internet? A minha resposta é sim e não. Uma das causas para esse alvoroço é o Efeito Obama. Ou seja, os políticos finalmente acordaram para o poder de mobilização da Internet. Oras, mas isso não é fato novo. Os movimentos sociais, em especial os de caráter mais libertário já haviam percebido isso. Prova: Centro de Mídia Independente e Movimento de Rádios Livres. O Centro de Mídia Independente é fortemente ligado aos chamados, erroneamente, “Movimentos Anti-globalização”. Ou seja, tal poder da Internet, o de mobilizar politicamente já era conhecido. Por isso, o motivo para a existência de tanto alvoroço é o mesmo para que não existisse tal alvoroço.
É importante ressaltar também que a Internet não é novidade nas eleições. Durante o pleito de 2006, ela, em especial pelas redes sociais, já desempenhou um papel importante, ainda que secundário na campanha. Prova disso foi o artigo escrito por Rosemary Segurado, onde ela analisou a campanha do voto nulo, feita através do site do Centro de Mídia Independente. Além disso, também existem os artigos de Sérgio Amadeu da Silveira , que estudou a internet nas eleições de 2006; e de Clóvis Barros Filho, Marcelo Coutinho e Vladimir Safatle , que estudaram o uso das novas mídias nas eleições de 2006.
Isso deixa claro que a Internet não é um fenômeno novo na vida política e eleitoral do país. O que existe de novo é o caso das eleições norte-americanas, que gerou mobilização e milhões em recursos para a campanha do Obama, e a liberação oficial para a realização de campanha pela Internet. A grande novidade é o fato de poder arrecadar recursos através da Internet, algo impossível nas últimas eleições. Assim, é importante colocar a pergunta: a Internet vai desempenhar um papel importante nas eleições de 2010?
A resposta é que sim. A Internet será fundamental nas eleições de 2010 e quem souber trabalhar com ela, e também quem já trabalha de modo profissional com ela, sai na frente. No entanto, não dá pra achar que ela vai substituir a televisão no caso das eleições majoritárias, como a de presidente. O Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral continuará a ter um peso muito grande nessa campanha. Além disso, existe a chamada seletividade. Ou seja, a pessoa vê aquilo que lhe interessa, ela não vai atrás do que não gosta. E a política é uma atividade que anda com a popularidade em baixa no Brasil.
Agora no que diz respeito às eleições proporcionais (deputados federais e estaduais), a Internet pode e deve ser uma ferramenta de fundamental importância, já que ela permite um contato mais direto e próximo ao eleitor. É uma ferramenta também de prestação de contas para a sociedade. Assim, um site, um perfil no orkut, facebook, twitter, blog e por aí vai, é muito bem-vindo e todos os que estão na Internet têm o dever de participar e cobrar coerência dos políticos. Assim, a maior colaboração que a Internet traz para as eleições de 2010 é uma maior aproximação dos políticos com a população e a possibilidade de maior transparência e fiscalização por parte desta.

sábado, 5 de setembro de 2009

Crise no Senado: existem vencedores?

Há algum tempo o Senado brasileiro passa por uma crise institucional. Essa crise talvez não seja a principal crise enfrentada pela casa. No entanto, é uma das que mais vem se perdurando na história recente do Senado. Ela está viva, pelo menos, desde o início do ano. Dizem que uma crise sempre gera oportunidades. Então é conveniente perguntar: existem vencedores nessa atual crise do Senado Federal?
Nesse primeiro é possível responder que não houve nenhum vencedor com a atual crise. A sociedade, apesar do surgimento do Movimento Fora Sarney, não conseguiu se organizar, de fato, para cobrar uma verdadeira transformação na política.
Sarney e seus aliados, como Collor e Renan Calheiros saíram com a imagem ainda mais comprometida, de que se utilizam da política como forma de se beneficiar individualmente. O PSDB teve alguns de seus principais líderes na casa envolvidos na discussão. Os exemplos são os senadores Tasso Jereissati e Arthur Virgílio. O primeiro se envolveu na chamada “farra das passagens”, onde utilizou dinheiro destinado a compra de passagens para usar seu jatinho particular, ainda que alegando o uso para fins de mandato, e também em uma discussão com Renan Calheiros. O segundo teve a imagem mais afetada e sofreu uma representação no Conselho de Ética. A principal acusação foi sobre o fato de ter continuado a pagar o salário de um funcionário que estava fazendo pós-graduação no exterior. Fato confirmado pelo senador, que posteriormente decidiu ressarcir o dinheiro ao Senado.
O DEM também não conseguiu se desvencilhar da crise. Seja pelos atos secretos publicados quando ACM era presidente do Senado Federal, seja pelo fato de ocupar, tradicionalmente, o cargo da primeira-secretaria da casa. É importante colocar que Heráclito Fortes não soube explicar os atos secretos e, depois de dizer que todos tinham vindo a público, ainda apareceram outros diversos atos.
O partido que provavelmente mais sofreu desgaste na sua imagem foi o Partido dos Trabalhadores, o PT, e, em especial o senador Mercadante. O PT construiu a sua imagem e sua história política pautando a construção de uma nova política, da existência da ética nessa atividade e de ruptura com os chamados oligarcas e que fazem da atividade política uma atividade fisiológica e clientelista. Tal imagem, já fragilizada em 2005 com a crise do mensalão, poderia ser revigorada caso o PT não entrasse em tanta contradição. As principais contradições foram: 1) o principal líder do partido, o Presidente Lula, ter apoiado Sarney publicamente; 2) a bancada do partido no Senado soltar nota exigindo pelo menos uma investigação contra Sarney e os votos do PT terem sido os responsáveis pelo arquivamento dos processos; e 3) a renúncia da renúncia de Mercadante.
Tais fatos levam o partido do Presidente a se contradizer com a sua história e a demonstrar quem são os aliados que eles querem que estejam junto com ele para as eleições de 2010. Junto com esses sinais fica mais perceptível que tipo de projeto será defendido pela candidatura de Dilma nas próximas eleições. Sendo assim, é pouco provável que ocorra uma verdadeira transformação na política nas próximas eleições e nos próximos anos. Seja com a vitória de Dilma ou de um candidato do PSDB, que também teve políticos como Calheiros, Sarney e ACM como aliados.
É possível perceber que tal crise não gerou benefícios para os que nela se envolveram. No entanto, é possível ter esperança de que essa crise gere resultados no longo prazo, como uma mudança na forma como a população decide seu voto e que gere uma maior participação e cobrança política dessa para com os seus chamados representantes no Congresso Nacional.

domingo, 19 de julho de 2009

Ato Público pela I CONFERÊNCIA DE COMUNICAÇÃO

O ato foi realizado no dia 16/07/09. A produção é da Rádio Ralacoco e do Projeto de Comunicação Comunitária da UnB. As filmagens e a edição são de Leyberson Lelis. Importante divulgar, já que os meios de comunicação privados, como Globo, SBT e Record não divulgam.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A UNE SOMOS NÓS?

Em tempos de Congresso da UNE (CONUNE) que vai ser realizado em Brasília, na UnB, entre 15 e 19 de julho, sugiro que assistam a esse documentário que eu fiz no último CONUNE, também em Brasília. O nome do documentário é: A UNE SOMOS NÓS?

Bem, é isso. Tirem suas próprias conclusões.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

10 de junho: o dia em que a Eda tremeu!




10 de junho de 2009, véspera de feriado e dia de jogo do Brasil. Um dia em que tudo parecia indicar para o início de mais um feriadão. No entanto, essa rotina foi bem diferente no IESB, campus da Asa Sul. Por volta das 20h30 desse dia, um grupo numeroso de estudantes começou a fazer uma manifestação no IESB com uma dimensão que não era vista desde 2003, quando os estudantes paralisaram as aulas contra o aumento das mensalidades. Eram, por baixo, 100 estudantes, a maioria do curso de comunicação, manifestando-se de modo pacífico para pressionar a diretora e dona do IESB, a Eda.
Antes do início da manifestação, a Eda e um diretor chamado Teobaldo tentaram convencer os estudantes a não realizarem a manifestação. No entanto, não houve sucesso, inclusive pela forma arrogante como isso foi feita, chegando a colocar informações pessoais, como a dificuldade financeira enfrentada por uma estudante, na tentativa de intimidar esse novo Movimento Estudantil que surge no IESB.
O estopim para essa organização dos estudantes foi o fato de 69 professores terem sido demitidos do IESB para que a faculdade esteja de acordo com as regras do MEC para tornar-se centro universitário. A justificativa para a demissão desses professores é que eles não tinham mestrado e/ou doutorado. No entanto, o IESB sabia dessas exigências, no mínimo, desde 2007 e não fez nenhum programa de incentivo à pós-graduação para os referidos professores. Outro ponto polêmico é que as demissões ocorreram cerca de duas semanas antes do Ministério da Educação ir avaliar se o IESB reunia as condições necessárias para virar um Centro Universitário. Com isso, vários estudantes perderam orientadores no fim do semestre.
Junto a esse ponto, existem outros como a entidade que representa os estudantes. Lá existe um Diretório Central dos Estudantes (DCE) que, segundo o relato dos estudantes do IESB, é mantido pela faculdade e nem sequer tem eleição. Assim, os estudantes também exigiram ser ouvidos e pretendem montar Centros Acadêmicos (CA’s) e o DCE da instituição.
Após começar a manifestação e o número de estudantes ser crescente, a dona do IESB decidiu deixar a faculdade, no que tentou ser impedida pelos estudantes que queriam esclarecimentos e uma negociação sobre os 10 pontos de reivindicação. Durante alguns momentos a estratégia foi parcialmente vitoriosa. No entanto, depois das 21h15, Eda conseguiu ir embora da faculdade. A manifestação, no entanto, não acabou com isso. Em uma breve assembléia, os estudantes, que estavam no estacionamento da faculdade, decidiram ocupar as faixas da L2 Sul, no sentido Asa Sul – Asa Norte e assim permaneceram até depois das 22h e sempre de modo pacífico.
O interessante, dessa manifestação, foi perceber o medo que a Eda teve dos estudantes. E não era medo de ser agredida por algum estudante, mas sim o medo do que isso pode trazer para o IESB. Afinal de contas, a visita do MEC está marcada para a semana que se inicia no dia 15 de junho e os estudantes prometem se manter organizados e mobilizados. É bem possível que na cabeça da dirigente máxima do IESB ainda estejam ecoando as seguintes palavras que os estudantes gritaram: “Eda, sua displicente! Tirou da sala professor que é competente!” E assim, em junho de 2009, começa a ser escrito mais um capítulo do Movimento Estudantil brasileiro, com importantes mobilizações na Universidade Federal do Maranhão, nas Universidades Estaduais Paulistas, na UnB e também no IESB.

Blog do movimento:
http://iesburgente.wordpress.com/